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Enviada em: 11/03 às 08:02

Autor(a): Mardonio C. Xavier

Fundos estrangeiros aplicam em precatórios

São Paulo, 11 de Março de 2008 - Os precatórios (ordem judicial irrecorrível para que o governo pague a dívida ao credor) estão sendo a nova aposta de fundos estrangeiros que querem investir no Brasil. De acordo com o advogado Edmundo Nejm, do escritório Lefosse Advogados, entre o meio do ano passado até agora três grandes fundos estrangeiros, que ele prefere não dizer o nome e que são seus clientes, compraram mais de R$ 1,6 bilhão em precatórios.

São Paulo, 11 de Março de 2008 - Os precatórios (ordem judicial irrecorrível para que o governo pague a dívida ao credor) estão sendo a nova aposta de fundos estrangeiros que querem investir no Brasil. De acordo com o advogado Edmundo Nejm, do escritório Lefosse Advogados, entre o meio do ano passado até agora três grandes fundos estrangeiros, que ele prefere não dizer o nome e que são seus clientes, compraram mais de R$ 1,6 bilhão em precatórios. Apenas um desses fundos adquiriu, em valor de face, R$ 1 bilhão em precatórios do Estado de São Paulo. Há ainda uma negociação em andamento para a compra de R$ 300 milhões em precatórios federais. "A preferência dos fundos é por precatórios federais ou do Estado de São Paulo, que são mais confiáveis", afirma o advogado.

O pagamento total do valor pode demorar até dez anos, mas o retorno do investimento vale a espera. De acordo com o advogado, o deságio varia entre 25% e 75%. Ou seja, por um precatório com valor de face de R$ 1 bilhão, o investidor chega a pagar até R$ 250 milhões.

Além disso, os precatórios também estão sendo usados para quitar dívida fiscal. "O credor vende o precatório com deságio para empresas que o usam para fazer compensação e garantia de dívidas", explica o advogado Nelson Lacerda, do escritório Lacerda e Lacerda. Um dos seus clientes, que ele prefere não dizer o nome, tinha uma dívida de R$ 3 milhões do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e pagou com precatórios, que comprou por R$ 1,4 milhão. "O deságio chega a 60%", diz Lacerda. A advogada Valdirene Lopes Franhani, do escritório Braga & Marafon, diz que só no último mês três clientes procuraram seu escritório com o intuito de comprar precatório para pagar dívida fiscal. "Tenho muitos clientes interessados."

A9(Gazeta Mercantil/ Página - Pág. 1)(Gilmara Santos)