Para boa parte dos estudantes, vencer a batalha do vestibular é apenas a primeira etapa antes da formatura. As mensalidades, os livros, o material didático e mesmo se manter durante os anos de estudo são um desafio para quem não tem grana sobrando. O jeito é ir em busca de alternativas para juntar dinheiro e conseguir driblar as dificuldades.
O mineiro Rafael Chaves Alcântara, 27 anos, mesmo cursando uma universidade federal, sentiu o peso de ter de se virar enquanto estudava. No primeiro vestibular em que foi aprovado, o estudante ingressou no turno da manhã do curso de química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2002. Porém, Rafael teve de abandonar os estudos quatro anos depois para trabalhar. Mas não desistiu: em 2008, fez novo vestibular, desta vez para o turno da noite, para poder trabalhar de dia.
Rafael utiliza todo o dinheiro que recebe como professor de química para pagar as passagens, as cópias, os livros e todas as despesas diárias. Como só o trabalho na área não é suficiente, ele ainda faz camisetas para vender. "Não pago mensalidade, mas tenho todos os outros gastos. Pode ser um estresse pensar que é preciso ter dinheiro para se manter", conta. Para o aluno da federal de Minas, a falta de tempo de quem trabalha e as preocupações com dinheiro atrapalham. Mas ele não desanima. "É possível trabalhar e estudar, parado é que não se pode ficar. Essa é única alternativa que muitos têm", diz, já pensando na formatura, que deve acontecer em meados de 2010.
Se para um aluno de universidade pública as coisas não são fáceis, mais complicado ainda pode ser o dia-a-dia de um estudante de faculdade privada. O catarinense Thiago Osnildo Serpa, 22 anos, já está encerrando a faculdade de Letras na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), mas lembra bem dos esforços que fez para se manter no curso até o fim. No comecinho do curso, ele já teve uma ajuda fundamental. Um amigo pediu que Thiago fizesse sua inscrição em um programa de bolsas de estudo da universidade. "Eu o ajudei e tomei conhecimento do processo seletivo que concedia bolsas de estudos de 50% e 100%. Como era gratuito resolvi fazer, pois tinha muita vontade de entrar na faculdade, mas não tinha condições. Passei no processo seletivo e já iniciei o curso com uma bolsa de 50%", conta.
Mesmo com a bolsa, o então estudante ainda contou com a ajuda dos pais. "Eu realmente não tinha condições financeiras. Meus pais, apesar da dificuldade, conseguiam me ajudar de alguma forma", diz ele que, mesmo com a bolsa, trabalhava 40 horas semanais como professor de uma escola pública municipal em Itajaí e estudava à noite. Se pagasse integralmente, teria que desembolsar mais de R$ 500,00 ao mês para pagar uma média de 24 créditos semanais. O esforço valeu a pena: Thiago agora aguarda apenas a colação de grau, que acontece no dia 8 de agosto.